Uma escrivaninha incrivelmente desorganizada, cheia de livros de diferentes temas e com alguns remédios e cosméticos espalhados. Eis o externo ilustrando o interno. Não tenho tido pausas, o que pode indicar o tal desejo, mas que também escancara os passos trôpegos. A certeza que aqui habitava não premiava, porém mantinha.
Em outra década me admirou saber que nos custa aprender que o outro não está pensando o mesmo que nós. Passei, então, mais de trinta anos presa na mesma fase de desenvolvimento? Será que o maior erro dos amantes é fazer muitas suposições? O raciocínio sistemático me permitiu acessar outras culturas com maior facilidade, mas me impediu de perceber que não fazíamos parte da mesma comunidade linguística.
Como se escrevesse uma gramática de afetos, tomei nota de como vivíamos e, pela sua funcionalidade, identifiquei regras. Se tínhamos nossa linguagem e havia entendimento, como imaginar que tanto não era compartilhado? Eu te sentia tão nós, mas estava sozinha. A verdade é que caminhava sozinha mesmo quando meus sentidos indicavam o contrário.
E o que dizer da semântica? Não acho que nossa interpretação das três palavras coincida. Dizem que crianças podem falar que te odeiam quando se sentem irritadas; muitas vezes é do que dispõem de mais próximo em seu repertório verbal para aquela emoção. Será que, aquilo que ouvi como um compromisso, foi apenas o acaso juntando sua alegria e minha companhia?
Provavelmente não é realista pensar num dicionário universal. Talvez eu só não esperasse que os mesmos verbetes comunicassem coisas tão distintas.
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