terça-feira, 18 de junho de 2019
Eu não esperava achar que estava cumprindo um ritual. Eu não esperava gostar disso tão cedo. Eu não fazia ideia de que tanto mudaria em tão pouco tempo, embora não tenha sido pouco tempo. De certa forma há uma sensação de ter feito por merecer, ainda que as opções não tenham sido muito vantajosas. Este é um pensamento curto, uma celebração real de uma sensação que dura pouco demais para ser levada a sério, mas que é única demais para não ser registrada. Agora eu só preciso acenar segurando meu buquê mesmo que as circunstâncias não tenham dependido de mim.
quinta-feira, 9 de maio de 2019
Há semanas comecei a pensar no tal décimo terceiro dia e, por isso, aquele velho medo surgiu. Não há explicação para essa sensação, mas o medo da solidão é concreto demais. Acontece que me cansei. Me irritei. Me incomodou esse sentimento de melancolia a cada ciclo que se completa. Me esvaziei e fiquei só com a vontade de celebrar. É um pouco incomum não sentir nada específico. Parece ser um território em que nunca pisei, mas estou disposta a explorá-lo. Disposta a repetir conclusões que são há muito conhecidas, mas que, por não serem sentidas, precisam ser reiteradas até que se tornem emocionalmente incontestáveis. Creio não precisar entregar minha estabilidade a uma terceira pessoa. Preciso socializar o pensamento e me encontrar. Não sou ninguém além de mim mesma e quero comemorar. Não preciso ficar triste. Há quem não queira estar ou sequer responder, mas eu estou aqui. E tudo bem. Sou minha única companheira garantida e já passou da hora de reconhecer isso. Não quero depender de outre. É tempo de me tornar quem eu quero ser, leve o tempo que levar, com quem quer que seja, onde quer que seja. Eu estou aqui e não quero mais me ignorar.
domingo, 10 de março de 2019
Pareço, enfim, ver um pouco de sol. Apesar do clima ameno, me sinto capaz de imaginar o litoral. Finalmente há um pouco de disposição. Há também uma sensação desconhecida, talvez por isso sem um nome. Parece ser transição que traz os tais questionamentos antagônicos de quase sempre. Percorri um longo caminho comigo mesma sem desespero algum por companhia, mas ainda assim veio aquele puro entusiasmo pelo que poderia ser com aquelas vozes. Acho que ainda não aprendi o que é só vontade de estar com alguém. Daí a culpa. Isso não está muito subjetivo hoje, eu sei. E pouco me agrada essa fuga de padronizações, mas estou buscando essa tal aceitação e não pareço poder contar com alguém além desta que escreve. No entanto, ouso perguntar: isso é mesmo culpável? E então no momento de calma consigo, é aceitável não sentir falta? O quanto temos que querer? Me sinto feliz por sair comigo, porém preocupada por não saber se desisti ou se estou bem. Seguirei estudando.
quarta-feira, 24 de outubro de 2018
São 09:40 e isso é incomum. O dia também é fora do padrão. As atividades tampouco me parecem confortáveis, mas acho que algo deveria ter sido e não foi. Pode ser que hoje eu esteja confundindo este espaço com um diário ou apenas tenha ficado feliz. Semanas se passaram e eu perdi aquela sensação, porém essa possessividade provavelmente relacionada aos astros não me permite deixá-la. Preciso que dure. Algo me foi resgatado e dias jamais vividos são recordados enquanto eu faço um pouco as pazes comigo. Como pôde me fazer sentir saudades de mim mesma? Não estou habituada a gostar da minha própria companhia e aceitar o que sou. Há algo de clandestino nisso e não sei se deveria saber o motivo. Alguns anos foram reconquistados, algumas imagens relembradas, alguns pensamentos reavaliados. Seria possível reviver o que jamais ocorreu? Sigo aprendendo.
O décimo terceiro dia de maio se foi e levou a contemplação que o antecedera juntamente com seus receios. Ou teria um período de letargia se iniciado como mecanismo de defesa? Talvez eu tenha observado a mim mesma evitando buscar alguma voz. Não quero ser a única a buscar.
Como saber com o que se importar? Seriam todos estes vínculos imaginários? Há fatos concretos de que alguém se importa, mas se não é normal controlar tudo e quase nenhuma resposta vem, como esquecer a ausência tão transparente e ao mesmo tempo tão cínica? Há datas e fotos. Há boa vontade. Há espontaneidade. Por que não há correspondência? Nunca quis ser a esposa de alguém cujas ações e localização são previsíveis. Haverá um meio-termo?
Como saber com o que se importar? Seriam todos estes vínculos imaginários? Há fatos concretos de que alguém se importa, mas se não é normal controlar tudo e quase nenhuma resposta vem, como esquecer a ausência tão transparente e ao mesmo tempo tão cínica? Há datas e fotos. Há boa vontade. Há espontaneidade. Por que não há correspondência? Nunca quis ser a esposa de alguém cujas ações e localização são previsíveis. Haverá um meio-termo?
quinta-feira, 12 de abril de 2018
Pensei que hoje fosse chover. Temi tomar um banho no caminho, mas me sabotei por achar que deveria ir até o fim, então nada de guarda-chuva. Foi um caminho longo e incompleto, mas não me molhei. Não faria diferença se o tivesse feito. Não me reconheço muito agora, e percebo quase instantaneamente que há muito que o vejo como uma extensão de mim e que esta foi uma das coisas mais perigosas que já fiz. Como pude não perceber que nos via como um só? Como pude não perceber o quanto me sabotava enquanto o fazia? Se nunca somos e apenas estamos, estaria eu preparada para o próximo estado de outrem? Estarei pronta para o que virá? Quantas identidades associei ingenuamente a mim? É preciso não levar as coisas tão a sério. É preciso saber que 1 + 1 não é igual a 1. É preciso saber que tudo acaba, que sou unidade única. É preciso entender que se entregar é muito perigoso, que as pessoas nunca sentem por nós o que nós sentimos por elas. É preciso viver cada luto de uma vez e até o fim. É preciso chorar cada lágrima até o final. E aceitar que só eu me pertenço.
domingo, 1 de outubro de 2017
Estar repleto de certezas parece estranho, assim como estar sempre indeciso. Há coisas a serem feitas e a pressa que surge em um segundo é substituída por uma completa desilusão numa troca de playlist. Existe algo que vale a pena? Estamos mesmo lutando por algo? O que eu faria sem o amor dele? Ele me faz sorrir e me entende mesmo sendo tão diferente de mim. Não gosto de tomar decisões, embora saiba o que não quero. Quero não querer muito, já que quase sempre me canso. Tenho perdido a vontade de tentar manter amigos que não me consideram amigos. Tenho desejado o essencial. Tenho desejado a ignorância e a inocência. Tenho me sentido cansada socialmente e esse cansaço entristece uma pequena parte de mim que, por não ter argumentos, vai sumindo pouco a pouco. Exigir custa muito.
quinta-feira, 20 de abril de 2017
Não tomei café. Talvez tenha ingerido mais chocolate do que deveria, mas nenhuma gota do amargo líquido. Me dei conta de que havia, tempos atrás, guardado algum sentimentalismo para esta necessidade urgente de ser e de fazer o que precisa e até o que não precisa ser feito. Sei que preciso me organizar e traçar metas simples, mas sei que também preciso me permitir um pouco. Não tenho sido desde sempre quem determina a hora de seguir e de parar? Me percebo em diferentes estágios, buscando ajuda desesperadamente e, ao mesmo tempo, deixando a vida seguir. Tenho sentido um pouco de vergonha. Tenho desconfiado de tudo e de todos, inclusive de mim mesma. Não sei se esta vergonha é minha. O quão melhor quero realmente ser?
Tenho estado mais vulnerável. Frustrada, alegre, triste, simpática, irritada, impaciente. Não quero mesmo estar muito rodeada por pessoas, apesar de querer. Simplesmente não consigo me sentir satisfeita. E fico irritada com minha insatisfação. Não sei se preciso de algo, mas sei que não sinto vontade de interferir no que me rodeia. Hoje, pela primeira vez em quase uma década, não cogitei vê-lo. Não há ressentimento, apenas inércia. É apenas sobre mim. Eu só vim para ser resgatada, protegida, envolvida, ainda que por algo que existe somente para mim. Meu coração bate cada vez mais alto, me incomoda, me desespera. Eu recolho as poucas virtudes que sobraram de mim num esforço gigantesco e espero que se acabe. Honestamente, não sei o que quero.
Tenho estado mais vulnerável. Frustrada, alegre, triste, simpática, irritada, impaciente. Não quero mesmo estar muito rodeada por pessoas, apesar de querer. Simplesmente não consigo me sentir satisfeita. E fico irritada com minha insatisfação. Não sei se preciso de algo, mas sei que não sinto vontade de interferir no que me rodeia. Hoje, pela primeira vez em quase uma década, não cogitei vê-lo. Não há ressentimento, apenas inércia. É apenas sobre mim. Eu só vim para ser resgatada, protegida, envolvida, ainda que por algo que existe somente para mim. Meu coração bate cada vez mais alto, me incomoda, me desespera. Eu recolho as poucas virtudes que sobraram de mim num esforço gigantesco e espero que se acabe. Honestamente, não sei o que quero.
domingo, 31 de julho de 2016
Hoje a covardia não pode mais ficar. Tentei fugir da tristeza o quanto pude, mas não posso fugir da imaturidade que estes 24 anos ainda me asseguram. Mudei seguramente de caminho porque depois de ter sido profundamente ferida não teria motivos para prosseguir com o idealismo, mas, tal qual uma criança, não sei nem quero enfrentar esta hostilidade. Agora sinto falta dos braços maternos que antes podiam me proteger de tudo. Sinto falta da ansiedade que não podia esperar pelo primeiro dia letivo.
Não sei ser apreciada. Sei preencher fichas, sei chegar no horário, sei corrigir atividades, mas não sei ser querida. Não faço ideia de como fingir que gosto de pessoas; a sinceridade sempre me colocou em situações complicadas. Me irrita perceber que, apesar de ter prometido que não mais o faria, seco lágrimas pelo mesmo lugar. Não tenho disposição suficiente para analisar porque fiquei tão exposta emocionalmente, só sei que estou abandonada em lugar nenhum. O que mais posso dizer? Tenho medo de todos eles.
Não sei ser apreciada. Sei preencher fichas, sei chegar no horário, sei corrigir atividades, mas não sei ser querida. Não faço ideia de como fingir que gosto de pessoas; a sinceridade sempre me colocou em situações complicadas. Me irrita perceber que, apesar de ter prometido que não mais o faria, seco lágrimas pelo mesmo lugar. Não tenho disposição suficiente para analisar porque fiquei tão exposta emocionalmente, só sei que estou abandonada em lugar nenhum. O que mais posso dizer? Tenho medo de todos eles.
quarta-feira, 4 de maio de 2016
Vou hoje usar este espaço de forma bem egoísta. São as lições que mais têm me ensinado e eu, que sempre fui boa estudante, decidi colocar o que aprendi em prática. Contudo, antes de me dedicar a este tópico, não posso deixar de gritar o quanto o processo de passar a não me importar finalmente alcançou avanço. Admito que há algo de prazeroso nisso de ter novamente uma revelação sobre mim mesma e de poder mais vez ter na escrita a chance de esvaziar estas frustrações que se estenderam de outros conflitos emocionais da adolescência para o previsível cotidiano desta ocupação.
Tenho a mim mesma? Neste momento, sim. Sem saber porque todas estas informações sobre diferentes categorias são necessárias, mas sim. Persiste a preguiça, o cansaço. Talvez porque eu tenha sempre me entediado com a previsibilidade. Se nada pode ser feito por algo, não há nada que eu possa fazer. Por que me importar? Esta sou eu assumindo que acredito mesmo que o que não tem remédio, remediado está. Sabe qual é o problema disso tudo? Eu costumo ter paixão pelas coisas. Realmente me entusiasmo. Tenho ideais. Até não ter mais. E não sinto culpa quando isso acontece. Sou a mais atingível de todos, até ser completamente impermeável. Tenho plena consciência do quão egoísta isto é, mas uma vez feito, não há como voltar.
Uma vez alguém disse que o tal não pode comprar amor, e uma outra pessoa falou que não é sobre este tal, mas tudo é sobre ele. Não se trata de fazer o que se deve fazer, mas de manter quem o tem por perto, ainda que haja incoerências. Pessoalmente, não tenho muito o que dizer sobre ele, a não ser que me rendo. Continuarei acreditando que há coisas mais importantes do que ele e tendo uma mínima gota daqueles ideais que mencionei, mas sem mais lutar. Não me sinto interessada em insistir quando a derrota é iminente. Assim sendo, escolho o outro extremo e dou a perfeição a todos.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
O quão tarde pode ser para responder algo? Tarde o suficiente para que novas questões tenham surgido. Sempre foi o tempo, de uma forma ou de outra, mas há uma surpresa. A melancolia já não é mais como antes. Mais intensa, porém menos duradoura. Muito mais intensa, mas obrigada a acabar por temer o pior. Como se um luto de um ano pudesse durar menos de 72 horas. Seria por causa da idade? Talvez funcione assim quando a vida começa a ficar séria: a responsabilidade consigo mesmo acelera tudo na vida, como se cada meta fosse um boleto com um vencimento bem explícito. Sempre pago minhas contas, certo? Por que pagaria juros agora? Avancemos, então. Alguma certeza? Umas poucas. O pessimismo pode nos fazer prever algumas coisas, isso não podemos negar. E quanto ao resto? Continuo suspeitando bastante daqueles que sabem exatamente o que estão fazendo, já que eu meio que estou seguindo em frente, meio que entendendo o que está acontecendo, meio que tentando ser feliz, ainda que meio sem saber o que seria isso propriamente. Vou tentar? Sim. Apostar muito? Não mesmo. Acho que só não quero me preocupar muito.Quem sabe eu enlouqueça um pouco? Ou talvez seja isso que alguns chamam de espontaneidade. Não quero sentir esta divisão tão intensamente. Não quero escolher tão bruscamente. Não quero mais me abandonar. Não quero mais sentir o tempo passar assim. O verbo é tentar.
sábado, 18 de outubro de 2014
Essa tal de insatisfação sempre se faz presente não importa onde seja. E eu, que do quatro sempre tive certeza, me encontro nos extremos do um dividindo o imenso entusiasmo da estabilidade com o desespero pelo desconhecimento do depois. Ultimamente parece ser tão cedo e tão tarde ao mesmo tempo para encontrar uma resposta, sabe? Sei que procuro motivos para que tudo se torne mais difícil, mas como saber o que de fato devo fazer? Sempre as expectativas e os planos infalíveis. Sempre as frustrações que jamais podem ser desfeitas. Por que tanto medo? Por que não apenas escolher? Por que o certo parece errado e o errado parece certo? Por que há algo que parece errado e/ou certo? O que é o errado? Será que tenho tempo para tudo isso? Será que devo me importar? Será que consigo me aceitar? Voltarei mais tarde para responder.
terça-feira, 12 de agosto de 2014
Acho que esta não é uma manhã para eufemismos ou filtros. Dói e dói muito, e creio que já me mantive muito alheia a tudo isso. A ausência dos planos supostamente seria solucionada pela compra de uma esperança fajuta, mas agora nada mais resta. Ironicamente, como tem que ser, há um vazio grande demais para que reste algum espaço para mim. Provavelmente vou me arrepender destas linhas dentro de dois dias, mas quase tudo parece incrivelmente distante de mim e eu realmente não acredito mais. E trapacear a transitividade de um verbo tão simples é minha forma de demonstrar a constante inconstância desta existência. Tudo parece reticências que jamais será vírgula ou ponto final. Não que exista uma vontade de finalizar um último parágrafo; não almejo sacrificar minha literatura. Também possuo alguma noção dos imprevistos, mas, de alguma forma, não parece haver próximo capítulo. Acho que estou realmente triste.
Assinar:
Postagens (Atom)